Quarta-feira, 28.10.09

Em ½ dúzia de dias, 5 casos [incríveis] de exploração, ausência de ética e escrúpulos, e ganância de comerciantes e profissionais liberais Albufeirenses. Não que se possa tomar o todo por uma ou mais partes, mas, a frequência, o teor e o timing são alarmantes, pelo que ficam aqui as suas descrições para memória futura.

 

Caso 1: vizinho, sénior, Irlandês, foi alertado, pelo seu Solicitador Albufeirense, para a absoluta necessidade da realização de testamento Português, dado possuir bens em território diferente do seu país de origem e de, Portugal, não reconhecer testamentos estrangeiros. Apresentou-lhe uma estimativa de honorários de 2500€. Pediu-me ajuda. Tinha uma vaga ideia da Convenção de Den Hague, de Março de 99, acautelar este tipo de situação e, de facto, acautela, bastando que o testamento Irlandês, seja registado, por alguns Euros, na Embaixada de Portugal em Dublin. Mesmo assim, e temendo, com razão…, que uma eventual tradução, do Inglês para Português, se arraste nos serviços Portugueses, e impeça os seus herdeiros de tomarem rapidamente posse dos bens, pretendia redigi-lo e regista-lo em Português/Portugal. E assim se fez, traduziu-se e registou-se, em Cartório Notarial Público, pelo valor de 184€. O valor seria o mesmo caso pretende-se apresenta-lo em Inglês e quer fosse público ou fechado.

- Conclusão: estimativa de honorários do Solicitador, para a feitura de um documento, que o próprio Solicitador alertou, erradamente ser imprescindível face à justiça Portuguesa, e que, nem sequer necessita da sua intervenção: 2500€ (claro que a conta seria maior…).

Valor despendido, por opção: 184€ (seria de +/- 10€ em Dublin).

Lucro do Solicitador: mais de 2300€

 

Caso 2: mais um vizinho, sénior, Britânico, que passa os meses de verão em Albufeira e que aluga o resto do ano. Foi alertado pela agência imobiliária Albufeirense que lhe trata dos alugueres, da necessidade de obter uma licença de arrendamento e apresentou um orçamento, de 812€, ou de 938€, caso pretendesse a intervenção de um Solicitador (valores tão pouco redondos e estranhos…). É verdade, pelo DL 39/08 e Portarias 517/8 de 2008, é necessário (para quem queira gastar dinheiro à toa… e se alguém disser que eu escrevi isto é mentira…) o registo na Câmara Municipal em "Alojamento Local" (também é necessário, claro, declarar o rendimento do aluguer às Finanças mas é só para quem quiser dar-lhes dinheiro à toa… e se alguém disser que eu escrevi isto também é mentira… declaro estar sob o efeito de xanax’s). Disse-lhe que fosse à Câmara informar-se, antes de passar o dinheiro para as unhas da agência. Foi, mas, estranhamente, o Município não disponibilizou um funcionário que fala-se Inglês. Desconheço se esta situação foi pontual ou se não existe mesmo. A não ser uma excepção, é um erro colossal da edilidade. Para cobrar IMI e água até falam Mandarim. Fui aos Paços, e recolhi a informação no GAM - Gabinete de Apoio ao Munícipe, que a disponibilizou rápido e bem. É necessária a papelada do costume (Caderneta Predial, planta, etc) e a Certificação Energética. O registo custa 0€ na CMA. Passo seguinte: obter a Certificação. Uma empresa Albufeirense, escreveu 400€ e 1 mês de prazo, num papelucho, e deu-o ao Inglês. Solicitei, no mesmo dia, por e-mail, orçamento à mesma empresa e, pasme-se, apresentaram 89,90€ e 1 semana.

- Conclusão: valor apresentado pela agência: 812€ ou 938€, com Solicitador, que nem sequer é necessário.

Valor despendido: 89,90€ e solas de sapatos ou 1,10€ para o Giro, que a volta, de vez em quando, tem piada, e contribui-se para os tais números que Desidério diz que já o usaram.

Lucro da agência: até 848€

Lucro da empresa de Certificação: 310,10€

 

Caso 3: vizinho, também Inglês, foi abordado pelo trolha que lhe faz os biscates, em joint-venture com uma empresa de jardinagem, para o alertar para uma "lei qualquer que saiu" e que obriga à colocação de vedação nas piscinas. Achei estranho e, por saber que se trata de uma velha aspiração da Associação para a Promoção da Segurança Infantil, contactei-os, e, infelizmente, a Lei ainda não existe. Cada um faz o que a sua consciência lhe ditar e, caso não tenha gaiatos em casa, muitos nem lhe vêm qualquer utilidade e necessidade.

- Conclusão: preparavam-se, para facturar uns cobres, a coberto e a pretexto de uma "lei qualquer" que nem sabiam explicar e que nem existe. Não chegaram a apresentar orçamento, mas seriam umas largas centenas de Euros.

 

Caso 4: vi, por mero acaso, um vizinho, que sei ser estrangeiro, mas não sei de que país, dar 4 notas de 20€ e uma de 10€, por uma garrafa de gás, que custa 69,50€. Mais 20,50€. Pelo transporte não deve ser, porque também me entregam em casa.

 

Caso 5 (condomínio): fui à primeira reunião e desisti a meio. Ingleses, Irlandeses, Holandeses e Alemães, são boa companhia para copos e golfe, mas para reuniões de condomínio são criaturas a evitar. Este ano fui, estava a chover em Agosto… Para aprovar, as contas de 2008 e o orçamento de 2009. Os valores não me pareceram excessivos, mas dois deles intrigaram-me:

 

Honorários administrador 2008: 7000€ (subsidio de férias e Natal incluídos)

Honorários administrador 2009: 7700€ (subsidio de férias e Natal incluídos)

 

Na aprovação, perguntei do que se tratava e o vizinho administrador, muito ofendido, diz tratar-se da sua compensação por ser administrador, que ninguém trabalha de borla, e que foi aprovado na reunião de condomínio de 2007. Os 700€ de aumento eram a actualização. Belo aumento, 50€/mês. Claro que não votei e apresentei declaração de voto. De pouco serviu porque foi aprovado e o administrador, em sacrifício da sua vida pessoal, segundo afirmou repetidamente e até em Inglês de meia tijela…, recandidatou-se e foi reconduzido (possui e representa diversas fracções com tipologia T4+1 e detêm assim, uma permilagem elevada que lhe confere um número de votos considerável).

Já fui proprietário de diversos imóveis em diversos locais do País e, vejo, pela primeira vez e em Albufeira, um administrador interno de condomínio, ser remunerado. Em Lisboa, as empresas especializadas, cobram, +/- 275€/mês, num total anual de 3300€, para propriedades com mais de 45 fracções, número em muito superior ao da minha propriedade em Albufeira.

 

Não me incomoda que os estrangeiros não residentes, sejam aliviados do peso das carteiras que trazem carregadinhas, sobretudo de Libras (e cada vez mais carregadas, porque uma semana está a custar no mercado Britânico cerca de 150 Libras e 10 Libras de avião em low cost), e dos subsídios de férias dos Portugueses no verão, mas, incomoda-me, que os estrangeiros residentes, sejam esmifrados, e, ao que parece, existe por cá gente, a fazer pequenas fortunas com os expedientes dos testamentos, do Alojamento Local e das vedações para piscinas. Dos representantes fiscais, que não fazem mais do que pagar as contas pelos estrangeiros e cobram 1000€/ano já sabia, mas destes tipos de exploração, só soube há dias. O seguro automóvel era outro filão para os mediadores Albufeirenses, mas, desde que uma companhia do sul de Espanha entrou no mercado, o filão está moribundo.

 

Albufeira não precisa de associações de comerciantes, os Albufeirenses é que precisam de uma associação de consumidores que os proteja dos comerciantes Albufeirenses. E, uma associação de comerciantes, que proteja os comerciantes, das associações de comerciantes existentes em Albufeira.



publicado por rais parta ó miúdo! às 00:00 | link | comentar | clientes (8)

badge
últimos

Albufeira não precisa de ...

tags

todas as tags

mais sobre mim